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PF apura possível saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após ordem de Moraes para entrega de passaportes

Autoridades brasileiras buscam informações junto à Argentina sobre o paradeiro do senador, derrotado na disputa presidencial

27/10/2026 às 11h37
Por: Redação Fonte: Jornal Opção / Júlia Carvalho
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Fávio Bolsonaro | Foto: Divulgação
Fávio Bolsonaro | Foto: Divulgação

A Polícia Federal (PF) tenta esclarecer se o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil após ser alvo de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou a entrega de seus passaportes e o proibiu de viajar ao exterior. A suspeita é de que o parlamentar, derrotado na eleição presidencial de domingo, 25, tenha seguido para a Argentina com a intenção de chegar aos Estados Unidos.

A informação sobre uma possível saída do país foi publicada inicialmente por um site argentino, no entanto a PF não identificou, até o momento, registros de passagem do senador por postos de controle migratório brasileiros. A corporação busca informações com autoridades argentinas para verificar se houve entrada no território vizinho.

A possibilidade foi contestada pelo governo argentino. De acordo com a agência Bloomberg, o secretário de imprensa do presidente Javier Milei negou que Flávio tenha ingressado no país. Procurada, a assessoria do senador não havia confirmado sua localização até a publicação das informações.

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A apuração ocorre um dia depois de Flávio divulgar um vídeo nas redes sociais relatando ter sido intimado pela Polícia Federal enquanto deixava a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.

Na gravação publicada na segunda-feira, 26, o senador afirmou que recebeu a determinação de entregar seus documentos de viagem e foi comunicado de que estava impedido de sair do Brasil.

“Hoje de manhã eu fui visitar o meu pai. Como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. E, quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele. No meio da rua, eu fui intimado a entregar os meus passaportes, e também estou proibido de deixar o país”, declarou.

Flávio classificou a medida como uma tentativa de intimidação, afirmou que nunca considerou deixar o Brasil e disse que cumpriria a determinação judicial.

“Eu vou entregar os meus passaportes e me defender dessa aberração. É uma clara tentativa de me intimidar. Ninguém vai me calar”, afirmou.

Decisão do STF e investigação financeira

A ordem de Alexandre de Moraes estabelece prazo de 24 horas para a entrega dos passaportes comum e diplomático do senador. O ministro também proibiu Flávio de manter contato com o advogado Willer Tomaz, investigado no mesmo inquérito por suspeitas relacionadas à lavagem de dinheiro.

O procedimento teve origem na Justiça do Rio Grande do Sul, a partir de investigações sobre possíveis operações de evasão de divisas e utilização de apostas virtuais para movimentar recursos de origem ilícita. O caso foi encaminhado ao STF depois que surgiram referências ao senador, que possui foro por prerrogativa de função.

Uma das frentes da apuração envolve a empresa Alcazar Holdings, sediada em Portugal e administrada por Willer Tomaz. Segundo informações encaminhadas pela PF ao Supremo, Flávio estava cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária da companhia no Santander.

Para os investigadores, essa condição permitia ao parlamentar um nível elevado de acesso à conta. O vínculo de acesso foi encerrado em maio de 2025.

Na semana passada, Moraes determinou o bloqueio de até R$ 6 bilhões em bens e valores associados a contas e empresas de Willer Tomaz. A decisão também autorizou a quebra dos sigilos bancário, fiscal e cambial do advogado e de empresas relacionadas, entre elas Alcazar Brasil Ltda., Alcazar Holdings Unipessoal, Alcazar Global Holdings e Catedral — Holdings SGPS.

A investigação inclui ainda uma análise dos correntistas e das movimentações financeiras vinculadas à Alcazar Holdings, especialmente da conta à qual o senador tinha acesso.

Declaração de Eduardo Bolsonaro é citada por Flávio

Ao comentar a restrição de viagem, Flávio Bolsonaro afirmou que a decisão judicial teria sido motivada por declarações de seu irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, durante uma transmissão ao vivo realizada na sexta-feira, 23.

Na ocasião, Eduardo defendeu que Flávio deixasse o Brasil caso fosse derrotado na eleição presidencial, resultado confirmado no domingo, 25.

O senador relacionou a fala do irmão à determinação de entrega dos passaportes, embora tenha negado qualquer intenção de sair do território brasileiro.

Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde 2025. Nesse período, passou a atuar politicamente junto a autoridades americanas contra integrantes do Supremo Tribunal Federal. O ex-deputado também foi condenado por coação.

Financiamento de filme sobre Jair Bolsonaro é alvo de outra apuração

Além do procedimento envolvendo Willer Tomaz, Flávio Bolsonaro é investigado em outro inquérito, sob relatoria do ministro André Mendonça, do STF. Nesse caso, a Polícia Federal apura suspeitas de evasão de divisas, lavagem de dinheiro, organização criminosa e corrupção relacionadas ao financiamento de Dark Horse, filme sobre a trajetória de Jair Bolsonaro.

A investigação examina um pedido de R$ 134 milhões feito pelo senador, em 2025, ao então banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O valor teria sido solicitado para financiar a produção cinematográfica.

Os investigadores buscam esclarecer a destinação dos recursos e verificar se parte do dinheiro poderia ter sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.

De acordo com as informações da apuração, os valores foram encaminhados por Vorcaro, por intermédio de operadores financeiros, a um fundo americano ligado a um advogado com vínculos com Eduardo.

Aberto em julho deste ano, o inquérito teve pedido de prorrogação apresentado pela PF, que pretende aprofundar a análise de documentos e transferências internacionais.

Flávio nega irregularidades. Segundo o senador, o contato com Vorcaro se limitou a uma solicitação de patrocínio privado para a produção do filme sobre seu pai, sem qualquer contrapartida.

Até o momento, as informações divulgadas não confirmam que o parlamentar tenha deixado o Brasil.

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